COMUNIDADE

Professores da UnB dão orientações para aprimorar rendimento nos estudos

 

Já está no ar a primeira edição da série Estude Melhor, produzida para as redes sociais da Universidade de Brasília. A proposta visa sistematizar, em forma de posts, dicas rápidas de professores da Universidade para aqueles que se dedicam a qualquer modalidade de aprendizagem, sejam vestibulandos, alunos de graduação ou de pós, concursandos ou mesmo curiosos que cultivam, no estudo, o prazer de ampliar os conhecimentos.

 

Antes de estudar para aprender determinado conteúdo, a série destaca passos importantes para se aprender a estudar. Ou seja, sugestões para o estudante otimizar o tempo dedicado aos livros e o rendimento em provas.

 

"Alguns aprendem melhor quando leem e fazem anotações. Outros preferem ver e ouvir. E alguns fixam os conceitos apenas na prática, fazendo exercícios, por exemplo. Cada um deve procurar desenvolver e potencializar sua maneira de aprendizado. Para quem está se preparando para exames de acesso a uma universidade, como a UnB, é muito importante manter uma rotina diária de estudo. Ter um ambiente adequado e que favoreça a concentração. Além disso, não procrastinar, ou seja, não adiar as responsabilidades. Fazer um bom planejamento e não acumular matérias para a véspera da prova é de grande relevância para o sucesso nos dias do exame", afirma o decano de Ensino de Graduação, Mauro Rabelo.

 

Como estudar exatas e cálculos matemáticos; emprego da língua e como escrever bem; como fazer provas, organização e hábitos de estudos; e o reflexo da atividade física, da boa postura e da qualidade do sono no rendimento durante a preparação e a realização de provas serão os quatro temas abordados nesta edição da série Estude Melhor.

 

Os professores convidados para formular as sugestões são:



Ricardo Fragelli – "Como estudar exatas e cálculos matemáticos"

Foto: Arquivo pessoal

 

Professor das engenharias na Faculdade UnB Gama (FGA) há 6 anos, Fragelli ministra este semestre as disciplinas de Cálculo I e Métodos Numéricos. Engenheiro mecânico, mestre em Engenharia Mecânica e doutor em Ciências Mecânicas, obteve todos os títulos pela UnB.

 

Ainda na 4ª série primária, decidiu que queria ser engenheiro. No 1º ano do Ensino Médio, estava determinado a estudar na UnB. Atleta na época, ele desistiu de representar a seleção goiana de vôlei para se dedicar integralmente aos estudos.  Apesar de ter estudado, rasurou a redação e foi reprovado no primeiro vestibular. "Cheguei em casa chorando e minha mãe me perguntou o que tinha acontecido. Disse que não tinha passado e ela retrucou: 'nunca esperava uma atitude tão derrotista de você'. Na mesma hora me levantei da cama e fui para biblioteca estudar para a próxima prova", lembra Fragelli.

 

No semestre seguinte, alcançou a maior nota em matemática entre os candidatos à Engenharia naquele vestibular. "Meu índice foi três vezes maior que o necessário para aprovação. Tinha lido todos os livros de matemática que havia na biblioteca pública de Anápolis, onde morava. Estava bem integrado ao tema. É primordial ao candidato conhecer o estilo de prova e saber o que encontrará pela frente".



Regina Pedroza – "Como fazer provas: organização e hábitos de estudos"

Foto: Beatriz Ferraz/Secom UnB


Docente no Instituto de Psicologia da UnB desde 1994. É professora de graduação e de pós no Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento. Graduada e pós-graduada na instituição, participou do Programa de Educação Tutorial (PET), apresentando a Universidade de Brasília, que tão bem conhece, a alunos do Ensino Médio.

 

"Sou filha de professores e sempre tive muito estímulo para estudar. Passei no meu primeiro vestibular. As provas eram bem diferentes e o ingresso acontecia pelas áreas de exatas ou humanas", recorda Regina.

 

Para a professora e psicóloga, os jovens estão cada vez mais dependentes do direcionamento dado pelas escolas, enquanto "o colégio deveria prepará-los para a autonomia do indivíduo e oferecer-lhes recursos para tomada de decisão. É preciso saber se virar quando entra na Universidade".

 

Guilherme Molina – "Atividades físicas, postura para estudar e qualidade do sono"

Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB


É professor da Faculdade de Educação Física (FEF) da UnB desde 2001. Carioca, graduou-se no Rio de Janeiro e é mestre em Fisiologia do Exercício e doutor em Fisiologia Clínica do Exercício, ambos pela UnB. Hoje ministra as disciplinas de Fisiologia do Exercício (FEF) e Fisiologia Médica na Faculdade de Medicina (FM).

 

Segundo Molina, os principais problemas dos estudantes são a tensão e a insegurança. "Preocupam-se se estão ou não preparados para realizar as provas. O insucesso muitas vezes é consequência dos despreparos físico e psicológico. Não tenho dúvidas de que o segredo do sucesso está em saber fazer prova", afirma.

 

O professor e fisiologista destaca, ainda, que a consolidação da memória guarda relação direta com a qualidade do sono. É o que ele classifica como estímulo-memória, favorecido também pela prática regular de atividades físicas.

 

Paulo José Cunha – "Emprego da língua e como escrever bem"

Foto: Angélica Peixoto/Secom UnB


Jornalista de rádio, impresso e TV, Paulo José é também professor da Faculdade de Comunicação (FAC) há 19 anos. Ministra as disciplinas de Telejornalismo e de Oficina de Texto.

 

Piauiense, veio para Brasília quando passou no vestibular para jornalismo na UnB em 1970. "O gosto pela língua portuguesa e por escrever me ajudou na aprovação do vestibular e durante toda minha carreira nos veículos de comunicação onde trabalhei", diz. Paulo José publicou, em 2015, em parceria com a professora Dad Squarisi, o livro "1001 Dicas de Português - Manual Descomplicado".

 

Para Paulo José, apesar do excesso de informação disponível hoje em dia, há carência de textos criativos e com os quais o público se identifique. "O segredo para conquistar o leitor é seduzi-lo e envolvê-lo emocionalmente no texto. Caso contrário, torna-se um mero relatório e vai para a vala comum". O jornalista e professor complementa ainda que ler é a principal fonte de informação. Além disso, "só se aprende a escrever, escrevendo. Não existem gênios mirins na literatura, ninguém nasce com esse dom. A escrita se desenvolve, se aprende a partir da leitura e do exercício da redação", afirma.

 

E como escrever sob pressão na hora da prova? "É preciso planejar o que será escrito. Nem que seja mentalmente. O início precisa ser surpreendente, chamar a atenção. O meio deve estar coerente e o conteúdo substancioso. E o fim deve trazer um desfecho igualmente criativo. Assim o candidato corresponderá às expectativas do avaliador. Não planejar a redação é como vagar aleatoriamente pelas ruas. O candidato deve saber para onde está indo”.

 

A série Estude Melhor será publicada até o dia 3 de junho, sempre às segundas, quartas, sextas-feiras e aos sábados, nas páginas da UnB no Twittere no Facebook.