INOVAÇÃO

Políticas públicas da área e desenvolvimento de vacinas, como a que combate a covid-19 e a para controle de infecções parasitárias, foram temas de conferências

Uma das porta-vozes da ciência no combate à desinformação durante a pandemia, Margareth Dalcolmo frisou necessidade de investir em mais pesquisas sobre as consequências da covid-19. Foto: André Gomes/Secom UnB

 

O anfiteatro 10 do Instituto Central de Ciências (ICC) da Universidade de Brasília foi pequeno para acomodar todo o público interessado em ouvir, na manhã desta segunda-feira (25), a médica, professora universitária e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo.

 

Convidada para falar sobre A visão da ciência no enfrentamento da pandemia e o futuro da saúde no Brasil no primeiro dia de atividades da 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ela traçou um panorama sobre a atuação brasileira no caso da covid-19. Além desta, outras atividades dedicadas ao tema da ciência, tecnologia e inovação ganharam destaque na programação do dia.

 

>> Assista à palestra na íntegra

 

“Acho que a comunidade acadêmica brasileira teve uma participação muito pujante a despeito de todas as adversidades e dificuldades que tivemos que vencer”, opinou Margareth. “O Brasil foi o país que mais colocou voluntários nos estudos de fase 3 de vacina. Começamos atrasados, mas conseguimos alcançar uma taxa de cobertura de 80% da população vacinada acima de 60 anos, o que é uma coisa muito boa.”

 

A pesquisadora da Fiocruz e uma das porta-vozes da ciência no período da pandemia ressaltou que o grande desafio do momento é vacinar as crianças. Além disso, chamou atenção para as consequências da doença, que ainda não são completamente conhecidas.

 

“Além da tragédia com a alta mortalidade como tivemos no Brasil, temos hoje o grande desafio da covid longa, das sequelas de covid-19, que vão exigir grandes investimentos e organização em serviços de saúde multidisciplinares para tratar dessas pessoas que têm sequelas da doença”, afirmou.

 

“O Brasil está no momento de reconhecer que o investimento em pesquisa e inovação é a coisa mais nobre que podemos fazer prevendo as novas gerações e profissionais de saúde, pesquisadores e o futuro do Brasil”, arrematou a pesquisadora, que foi ovacionada ao final da palestra.

 

Miriam Braz, que cursa Agronomia na UnB, gostou de ouvir de Margareth Dalcolmo que é preciso investir em mais pesquisas para contemplar aqueles que tiveram covid-19 e hoje sofrem com sequelas. É o caso dela, que após se consultar com diversos médicos, descobriu que seus lapsos de memória fazem parte do repertório de consequências do coronavírus.

 

“Fui ao médico há pouco tempo e ele falou que tinha certeza que eu estava com problema neurológico, quando na verdade não era um problema que eu já tinha, foi adquirido como um sintoma pós-covid: o esquecimento. E, por falta de conhecimento, acaba que ficamos com um diagnóstico completamente errado. Acho que a gente precisa explorar mais essa área”, comentou a estudante de 21 anos.

Os estudantes Miriam Braz e Ullysses Cruz acompanharam a palestra de Margareth Dalcolmo no primeiro dia de programação da SBPC. Foto: André Gomes/Secom UnB

 

Aluno do curso de Agronegócio na Universidade de Brasília, Ullysses Cruz ressaltou o trabalho excepcional dos pesquisadores envolvidos na produção das vacinas. Segundo ele, foi muito rápido e é preciso continuar estudando para abarcar as novas cepas e doenças correlatas que surgem.

 

“As pessoas olham e pensam: ‘beleza, estamos na terceira fase dos testes de vacinas para covid’. Mas vamos ter que fazer praticamente do zero porque a covid tem outros sintomas, tem outras anomalias, assim que você tem que estudar", ponderou.

 

OUTRAS VACINAS E POLÍTICAS –  A atuação do país no combate a outras doenças, como as infecções parasitárias, também foi pano de fundo da mesa-redondaContribuições da ciência brasileira para o desenvolvimento de vacinas antiparasitárias, que reuniu pesquisadores das universidades federais do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, de Ouro Preto e de São Paulo.

 

Oscaminhosda inovação no Brasil e as políticasde ciência, tecnologia e inovação também foram abordadas em outras duas palestras da SBPC.

 

Para a presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, que participou de mesa-redonda relacionada aos assuntos na tarde desta segunda (25), é preciso dar mais atenção à formação de pesquisadores no país, porque eles acabam saindo do Brasil em busca de melhores condições de estudo e trabalho.

 

“O Brasil tem poucos pesquisadores por milhão de habitantes, é dos piores números entre os grandes países da América Latina. Chile, Argentina, Colômbia estão melhores que nós. Preocupa, porque é um impacto no futuro”, afirmou a pesquisadora.

 

“Mas sou muito otimista. Estou velhinha, mas continuo acreditando que vamos conseguir reverter o quadro. Temos que ter política de Estado, principalmente porque Educação e Ciência são de longo prazo”, finalizou Helena Nader.

 

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>> Veja imagens do que ocorreu nesta segunda (25) na SBPC

 

AINDA EM DESTAQUE – O tema da covid-19 seguirá em voga durante a 74ª Reunião Anual da SBPC. Na quarta-feira (27), Pedro Hallal, professor nos programas de pós-graduação em Educação Física e Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), ministra conferência que discutirá o futuro da ciência e tecnologia no Brasil após a pandemia e as políticas e abordará a necessidade de investimento nas áreas.

 

Já na quinta-feira (28), o assunto será tratado pelo infectologista e pesquisador da Fiocruz Júlio Croda a partir de análise sobre as vacinas desenvolvidas e das novas tecnologias para combater variantes recentes.

 

PARTICIPE – A programação do maior evento científico da América Latina segue até sábado (30), com atividades on-line, transmitidas ao vivo pelos canais no YouTube da UnBTVe da SBPC, e presenciais, nos quatro campi da UnB: Darcy Ribeiro (Asa Norte), Ceilândia (FCE), Gama (FGA) e Planaltina (FUP). O melhor da ciência, tecnologia e inovação desenvolvidas no Brasil estará em destaque em mais de 200 atividades abertas ao público, entre conferências, mesas-redondas, painéis, webminicursos, exposiçõese sessões especiais.

 

>> Confira a programação por grandes temas

 

Eventos paralelos e atrações culturais também movimentam a Universidade, como a SBPC Vai à Escola (programação destinada aos estudantes e professores da educação básica), SBPC Jovem (exposição voltada para estudantes do ensino básico e público em geral), a ExpoT&C (mostra de ciência e tecnologia), a SBPC Cultural (apresentação de atividades artísticas regionais e discussões sobre temas relacionados às artes e à cultura), Sessão de Pôsteres (apresentação virtual), além da SBPC Afro e Indígena,SBPC Educação e a SBPC Inovação. Venha à UnB e participe!

 

Confira um balanço do primeiro dia de SBPC:

 

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